Eu não acredito no amor. Já explico.
Talvez pela separação dos meus pais, quando eu tinha 15, talvez pela separação gradual de todo o resto dos casais da minha família ao longo da minha vida, talvez pelo descascado que ficou no meu coração algumas vezes e que eu precisei de muita massa corrida pra consertar e ainda assim tem gente que quando entra repara que ele está lá, talvez pelo fato de eu ter nascido desprovida de paciência, não se sabe. O fato é que eu não acredito mais no amor.
Não acredito em brigas por motivos non sense como a pasta de dente apertada em cima, a toalha molhada em cima da cama, a louça que ninguém quer lavar, o barzinho com os amigos e o futebol.
Não acredito em discussões por conta da interferência materna de um dos lados, por conta do nome dos filhos, por conta da cor da parede da sala, por conta da caneca de leite derrubada no sofá.
Tem gente que diz que amor se contrói e eu discordo. A gente constrói confiança, constrói hábitos, constrói horários e rotinas, constrói apelidinhos carinhosos. Não amor. Amor ou é ou não é. Ou bate ou não bate. Ou vai ou racha. Amizade é outra coisa. Carinho é outra coisa. Respeito é outra coisa. Amor é feito de tudo isso, mas também (e, talvez, sobretudo) é pele. E é por isso que não se vive só de amor.
É por isso que aquela química irresistível e aquele furacão interno não bastam. Amar é também conviver. E conviver denota imediatamente ceder e compartilhar. E entender que não há mais "problema meu" ou "problema seu". E assim mesmo não perder a própria personalidade. Por isso é tão difícil amar... não é todo amor que se dispõe.
E é assim que eu não acredito no amor.
Ponto. Na outra linha. Parágrafo.
Eu não acredito no amor, mas acredito em gente que fica acordada às duas da manhã, tentando encaixar entre as linhas algo que consiga chegar perto daquele monte de frases soltas e pensamentos revoltos que não deixam o sono vir.
Eu não acredito no amor, mas acredito em gente que sabe conviver com a leveza de amar, como se ele existisse. Em gente que dá o melhor de si até quando não pode tocar.
Eu não acredito no amor, mas aí vem você e fica falando de uma porção de coisas que eu ignoro, que eu desconheço, que eu desaprendi de viver. E eu não durmo. E continuo convencida de que não acredito no amor, mas me pego ridiculamente imaginando como seria incrível se ele existisse mesmo... que susto bom eu ia levar, amor!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
...comigo?
Prefiro prometer que vou te amar debaixo de chuva ou na areia da praia...
Te amar chorando porque chutou o pé da mesa, ou sorrindo porque eu cheguei mais cedo do trabalho...
Prometer que vou te fazer sorrir mesmo quando eu estiver com vontade de chorar...
Coisas assim.
*Rápido, preciso de ajuda para um sequestro pelo resto da vida!
(Palavras emprestadas)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Difícil
Pedi a ele pra anotar o negócio do sussurro no meu ouvido. Não queria correr o risco de ele esquecer e não me dar.
Ele me respondeu bem isso, que não precisava anotar porque tinha passado o dia olhando pro quarto e posicionando umas velas no pé da parede. E que não tinha perigo de esquecer porque aquilo não era uma anotação, era um plano pensado nos mínimos detalhes.
Eu nunca soube fazer planos e não fazia ideia do que seria, no fundo, ter um pensado nos mínimos detalhes, mas gostei da frase e sorri. Na verdade sorri porque fiquei com vergonha, ele me fazia isso o tempo todo.
Ele riu, achando graça. Me puxou pra perto dele e coçou minha cabeça. Não achei tão bom assim... eu ainda queria falar.
Gosto de coisas sexy não vulgares... pensei, alto. Ele disse que achava sexy alguém com a camiseta dele de manhã. E eu ali, louca pra usar a camiseta dele toda manhã pro resto da vida, louca pra usar a vida dele toda manhã tarde e noite até gastar todas as camisetas. Mas ele ainda tinha que dizer que preferia me ver sorrir de vergonha do que qualquer outra coisa que isso pudesse trazer, um dia.
Sem problema. Eu morria de vergonha. Era toda vergonha. Vergonha era o meu nome do meio, e o último. Não era o primeiro porque meu coração de repente estava batendo tão rápido que não me deixava ter primeiro nome. Meu primeiro nome era um intervalo vazio, acho que eu tinha esquecido qual era.
Porque eu já tinha tido experiências o bastante pra conhecer gente que tirava minha roupa com os olhos, sem me tocar. Era constrangedor, mas ele fazia pior. Ele tirava minha roupa só de falar enquanto olhava pela janela, nem pra mim!
Eu me distraía um segundo e lá estava ele, correndo com a minha blusa. Mais uma única frase e eu precisava rápido de um lençol.
Ele pensou, essa louca lê de pé em cima da cama porque diz que fica mais perto da luz!, e sorriu, disfarçando, como se eu não soubesse o que ele estava pensando.
Ele voltou à forra, aproveita pra falar bastante porque já já tua boca vai estar tão perdida na minha que você nem vai se lembrar como usá-la pra outra coisa. Usou o verbo assim, tão bonitinhamente conjugado, que eu tive que quase gritar.
Devolve a minha roupa agora!!!
Ele quase morreu de rir. Eu estava morrendo de sono, queria ver se dormindo eu conseguia pegar minha vida de volta. Tinha saudade dela me incomodando. Ele entortou o sorriso. Vem pegar, vem.
Mas eu não tinha nem ar. Sumiu tudo de dentro de mim de repente. Fiquei comovida com a cena dos dois, tão maduros, rindo sozinhos.
Ele deve ter percebido, porque virou pro outro lado e respirou fundo, enquanto provavelmente pensava em mais alguma coisa pra me levar o lençol. Te levo no meu corpo, não posso dizer que no coração porque você é muito grande pra entrar nele, melhor se encaixar em cada parte, assim toda vez que me olho lembro de você, já te levo dentro, dentro e ao lado.
Pronto.
Precisei de um bilhete pra conseguir dizer alguma coisa. O sono estava me matando e tinha um nó grande e gostoso na minha garganta. Aproveitei a tela do computador, onde eu estava sentada, vamos continuar esse papo na cama? Quise dizer, você aí e eu aqui, calro... *Quis *claro. Aí perdi orumo.
Ele não perdoou, olhou bem pra mim e, rindo da gagueira que me deu de repente, mandou de direita. Foi usar a palavra cama e você errou mais, em duas frases, do que em tudo que escreveu o ano inteiro.
Era pior que isso. Ele levantou da cama e sentou na banqueta, do meu lado. Te adoro um montão. Meus repentinos doze anos só conseguiram responder te adoro o Himalaia. Era a risada dele ecoando de novo. Gosto do jeito que você tem de se expressar. E eu detesto esse jeito que você tem de me desconstruir. Relaxa que ainda faltam 18 minutos pra você se despedir.
E ele me puxou num abraço tão doído daquilo que a gente não conseguia explicar que eu poderia terminar de enlouquecer bem ali.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Gostoso
Tudo que é proibido é mais gostoso.
Nem tudo. Andar na contramão pode fazer mal à saúde. Não parar na linha do trem, idem. Assim como ultrapassar em faixa contínua, fumar no posto de combustível, ultrapassar o limite de áreas de risco e provocar sua namorada no auge da TPM (bom, não é proibido, mas é bem perigoso também). O complicado sim, é sempre mais gostoso.
Gostoso!
Que nem tomar sorvete no parque domingo à tarde. Que nem dar risada sozinho, lembrando alguma coisa. Que nem camiseta velha na hora de dormir. Que nem cheiro de chuva. Que nem compartilhar piadas internas. Que nem prender vaga-lume na mão. Que nem perfume de lençol limpo. Que nem vinho no inverno. Que nem carta escrita à mão. Que nem dormir abraçado. Que nem achar dinheiro no bolso da calça. Que nem aquela bala em pó que estalava na língua e não existe mais. Que nem soprar semente de dente-de-leão. Que nem abraço de saudade. Que nem descobrir que você precisa de alguma coisa que não precisava antes.
*****
Era comum ela riscar o que escrevia. Cinco minutos e ela já não concordava mais consigo mesma.
Mas ele estava sempre tentando ver por cima dos ombros dela. Ela percebia e escondia. E riscava. E sorria. Ele ria.
Ficava tentando entender por que se lia nas linhas dela. Ficava pensando e ensaiando dizer o quanto queria concordar com as linhas que ela displicente e criminosamente riscava. Ficava olhando pra trás e querendo adivinhar onde raio estava ela até agora.
Ela nunca soube responder. Nunca soube de verdade onde estava; gostava de pensar no futuro, mas nunca teve muita certeza do presente. Achava sempre que devia estar em outro lugar.
Ele continuava perguntando. Ou tentava. Continuava imaginando desfechos interessantes pras coisas que ela dizia. Ela ria. Ele sorria.
Ela falava de portas com a mesma certeza que usava quando comentava sobre o tempo. Ele ficava ouvindo e pensando que raio de porta era essa e o que ela queria dizer com aquela conversa toda. Ele despistava e dizia que a porta estava sempre aberta, esperando alguém entrar. Ela falava de arrombamento. Ele achava mais interessante usar um grampo de cabelo. Ela achava mais charmoso, mas continuava esperando alguém entrar com porta e tudo.
Ela queria dizer o quanto achava estranho aquilo tudo. Contar o tempo em horas a mais nunca tinha sido costume, e agora era tão comum que ela nem sabia explicar. Ela respirava fundo e ficava dissertando sobre outras coisas, pra não ter que tocar no assunto e correr o risco de assustar as horas e delas começarem a passar em outro ritmo. Ela vivia fugindo das horas. Começava a falar da tal porta e não parava nunca mais, com medo de caber alguma observação (de si mesma) nos intervalos.
Ele queria dizer como se sentia quando ela riscava as palavras que pareciam tão importantes para ele. Ele queria dizer como se sentia riscado também.
Mas ela achava as palavras todas tão descartáveis. Ela dizia que eram só um monte de coisas tiradas de um dicionário.
Ele ria e continuava tentando enxergar enquanto ela continuava escrevendo e riscando.
Ela via e ajeitava o cabelo atrás da orelha e jogava todo pro lado, pra esconder os riscos. Ele pensava em fazer cócegas, mas sabia que aí nem ia querer ler mais nada. Porque rir era sempre a melhor parte. Eles paravam tudo pra rir. Tinha hora que nem todo o riso do mundo era o bastante. Tinha hora que o coração acelerava e aí eles riam. E concordavam: que situação!
Era tão bom desse jeito que eles até esqueciam as palavras, riscadas ou não. Porque tinha hora que rir era o único jeito de os dois se salvarem.
Que nem a vez que ele ficou olhando pra ela por trás da garrafa de cerveja e nenhum dos dois conseguia desviar o olhar, nem falar nada. Que nem aquele dia que ela tocou a campainha sem avisar e nenhum deles sabia o que dizer. Que nem quando os dois queriam falar ao mesmo tempo. Que nem quando eles começavam a falar bobagens e não conseguiam mais parar.
Mas eles eram importantes de uma maneira diferente. Aquela luta com o que tinham a dizer era só mais um jeito de se econtrarem.
Os dois sabiam disso, mas disfarçavam. Ele até queria dizer, mas não conseguia. Ela falava demais.
Mas ele estava sempre tentando ver por cima dos ombros dela. Ela percebia e escondia. E riscava. E sorria. Ele ria.
Ficava tentando entender por que se lia nas linhas dela. Ficava pensando e ensaiando dizer o quanto queria concordar com as linhas que ela displicente e criminosamente riscava. Ficava olhando pra trás e querendo adivinhar onde raio estava ela até agora.
Ela nunca soube responder. Nunca soube de verdade onde estava; gostava de pensar no futuro, mas nunca teve muita certeza do presente. Achava sempre que devia estar em outro lugar.
Ele continuava perguntando. Ou tentava. Continuava imaginando desfechos interessantes pras coisas que ela dizia. Ela ria. Ele sorria.
Ela falava de portas com a mesma certeza que usava quando comentava sobre o tempo. Ele ficava ouvindo e pensando que raio de porta era essa e o que ela queria dizer com aquela conversa toda. Ele despistava e dizia que a porta estava sempre aberta, esperando alguém entrar. Ela falava de arrombamento. Ele achava mais interessante usar um grampo de cabelo. Ela achava mais charmoso, mas continuava esperando alguém entrar com porta e tudo.
Ela queria dizer o quanto achava estranho aquilo tudo. Contar o tempo em horas a mais nunca tinha sido costume, e agora era tão comum que ela nem sabia explicar. Ela respirava fundo e ficava dissertando sobre outras coisas, pra não ter que tocar no assunto e correr o risco de assustar as horas e delas começarem a passar em outro ritmo. Ela vivia fugindo das horas. Começava a falar da tal porta e não parava nunca mais, com medo de caber alguma observação (de si mesma) nos intervalos.
Ele queria dizer como se sentia quando ela riscava as palavras que pareciam tão importantes para ele. Ele queria dizer como se sentia riscado também.
Mas ela achava as palavras todas tão descartáveis. Ela dizia que eram só um monte de coisas tiradas de um dicionário.
Ele ria e continuava tentando enxergar enquanto ela continuava escrevendo e riscando.
Ela via e ajeitava o cabelo atrás da orelha e jogava todo pro lado, pra esconder os riscos. Ele pensava em fazer cócegas, mas sabia que aí nem ia querer ler mais nada. Porque rir era sempre a melhor parte. Eles paravam tudo pra rir. Tinha hora que nem todo o riso do mundo era o bastante. Tinha hora que o coração acelerava e aí eles riam. E concordavam: que situação!
Era tão bom desse jeito que eles até esqueciam as palavras, riscadas ou não. Porque tinha hora que rir era o único jeito de os dois se salvarem.
Que nem a vez que ele ficou olhando pra ela por trás da garrafa de cerveja e nenhum dos dois conseguia desviar o olhar, nem falar nada. Que nem aquele dia que ela tocou a campainha sem avisar e nenhum deles sabia o que dizer. Que nem quando os dois queriam falar ao mesmo tempo. Que nem quando eles começavam a falar bobagens e não conseguiam mais parar.
Mas eles eram importantes de uma maneira diferente. Aquela luta com o que tinham a dizer era só mais um jeito de se econtrarem.
Os dois sabiam disso, mas disfarçavam. Ele até queria dizer, mas não conseguia. Ela falava demais.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Preenchendo

A gente vive inventando. A gente inventa um jeito de tudo. A gente inventa um jeito de se superar. Inventa um jeito de encontrar o caminho certo. Inventa um jeito de usar aquela calça jeans um número menor. A gente se atrasa e inventa um atalho para ainda chegar na hora. A gente inventa desculpa. A gente inventa história, ou só aumenta um pouquinho aqui, diminui um pouquinho ali. A gente inventa de comprar um celular novo, uma blusa nova, uma casa nova, um cabelo novo, um peito novo. A gente inventa um jeito de ganhar dinheiro. Inventa um jeito de gastar dinheiro. A gente inventa uma nova mania de infância. Inventa uma viagem. Inventa um jeito de cozinhar mais rápido. Inventa um jeito de comer mais rápido. A gente inventa uma música pra lembrar alguma coisa e depois tenta inventar um jeito de esquecer o refrão daquela outra, porque ouvia com alguém que resolveu ir embora. A gente inventa uma dor pra não ter que ir trabalhar, pra não ter que sair de casa, pra não ter que assistir aula, pra não ter que discutir, pra não ter o que fazer o dia todo. A gente inventa remédios pro corpo e pra alma. Inventa que a partir de agora a gente só vai comer alface e rúcula, porque a gente inventou de achar uma gordurinha sobrando. Inventa que correr faz bem pro coração e que vai começar a correr todo dia. Inventa que chorar faz bem pra alma, mas que vai começar a não chorar tanto como antes porque chorar é coisa de gente fraca, gente forte come brigadeiro, rasga meia dúzia de fotos e fica tudo bem. A gente inventa pose, inventa personagens, inventa trejeitos, sotaques e atitudes. Inventa um a gente novo todo dia. Inventa moda. Inventa de gostar de determinado bar e determinada banda. A gente inventa um jeito novo de pentear o cabelo, um jeito novo de andar, um jeito novo de falar, um jeito novo de se vestir, um jeito novo de ser a gente. A gente inventa lembranças boas pra colocar no lugar das ruins e poder achar que vale a pena sofrer pelo que já foi. Ou inventa lembranças ruins pra colocar no lugar das boas e poder dizer que tomou a melhor decisão ao invés de admitir que o que decidiu foi a maior burrada. A gente inventa

poesia, inventa amor, inventa amizade, inventa uma decoração diferente pro quarto, pra sala, pro banheiro. Inventa que precisa de um notebook, que precisa de um sapato, que precisa de um cinema, que precisa de uma companhia. A gente inventa companhia. Inventa de ligar pra qualquer um só pra não ter que ficar só. Inventa de dizer que ama só pra evitar explicações longas. Depois inventa que se enganou. A gente inventa uma religião pra seguir, um curso pra fazer, inventa que sabe o que quer da vida, inventa que entende do que está falando, inventa que sabe tudo de tudo. A gente inventa um choro, inventa um abraço, inventa de querer um beijo, inventa de querer comer aquela torta que só se encontra do outro lado da cidade, inventa um conselho pra alguém, inventa que sabe dar conselho, inventa um disfarce, inventa um sorriso de disfarce, um sorriso de deboche, um sorriso de indiferença, a gente inventa até uma gargalhada, se precisar. A gente inventa uma vontade louca e repentina de gritar, uma vontade louca e repentina de cantar, uma vontade louca e repentina de largar tudo e ir vender coco na praia. A gente inventa de ir pra praia, a gente inventa de voltar de lá, a gente inventa que precisa sair na sexta à noite, senão vai enlouquecer. A gente inventa que precisa beber, que precisa acelerar, que precisa se distrair, que precisa ser mais sincero, que precisa ter mais amigos, a gente inventa que precisa amar.E, mesmo quando a gente não tem mais o que inventar, a gente ainda inventa cada uma!
A música cujo nome e intérprete eu finalmente descobri. So sweet!!!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Ao infinito...
Para quem não sabe, hoje, 31 de maio, é o Dia Internacional do Comissário de Voo; para quem sabe... também.
Como não poderia deixar de ser, uma vez que é essa a profissão que escolhi a título de "efetiva" depois de desistir da que escolhi a título de "curso superior" ou "para inglês ver", como queiram, gastei alguns minutinhos do meu tempo escrevendo esta homenagem, que é auto mas também é alheia, para os demais malucos que compartilham minha escolha.
PARABÉNS a todos nós que, por algum motivo obscuro, escolhemos estar eternamente entre uma cidade e outra, sem feriados ou finais de semana, sem nunca saber onde vamos passar a noite, sem ter certeza sobre a que horas vamos dormir ou acordar, servindo seres humanos estranhos e complexados, recolhendo saquinhos de vômito, arrancando pessoas de banheiros, acalmando passageiros enlouquecidos, oferecendo balinhas a infantes chatos, cuidadosamente tomando bagagens de mão de pessoas que insistem em permanecer com elas na mão e enfiando-as delicadamente no bagageiro (as bagagens, não as pessoas), convivendo com colegas de trabalho diferentes a cada dia, lidando com condições meteorológicas completamente díspares em um mesmo dia, sorrindo para os demais enquanto a aeronave chacoalha feito um liquidificador em curtocircuito e enquanto controlamos o instinto de agarrar um terço e rezar fervorosamente uma novena para Nossa Senhora da Turbulência (ainda que não sejamos católicos), demonstrando como utilizar os equipamentos de emergência e torcendo para não precisarmos deles, olhando aquela grávida que visivelmente está prestes a dar à luz e implorando ao céu para que ela não exploda a bordo, confiando nossas vidas a pilotos que mal conhecemos e a computadores de bordo passíveis de falha, tendo que responder educadamente a cada vez que perguntam se não temos medo de morrer em uma queda, despressurização ou qualquer outra possível adversidade (como se alguém morresse fora de sua hora) e ainda por cima achando tudo isso lindo demais da conta e fazendo com o maior prazer do mundo!
Como não poderia deixar de ser, uma vez que é essa a profissão que escolhi a título de "efetiva" depois de desistir da que escolhi a título de "curso superior" ou "para inglês ver", como queiram, gastei alguns minutinhos do meu tempo escrevendo esta homenagem, que é auto mas também é alheia, para os demais malucos que compartilham minha escolha.
PARABÉNS a todos nós que, por algum motivo obscuro, escolhemos estar eternamente entre uma cidade e outra, sem feriados ou finais de semana, sem nunca saber onde vamos passar a noite, sem ter certeza sobre a que horas vamos dormir ou acordar, servindo seres humanos estranhos e complexados, recolhendo saquinhos de vômito, arrancando pessoas de banheiros, acalmando passageiros enlouquecidos, oferecendo balinhas a infantes chatos, cuidadosamente tomando bagagens de mão de pessoas que insistem em permanecer com elas na mão e enfiando-as delicadamente no bagageiro (as bagagens, não as pessoas), convivendo com colegas de trabalho diferentes a cada dia, lidando com condições meteorológicas completamente díspares em um mesmo dia, sorrindo para os demais enquanto a aeronave chacoalha feito um liquidificador em curtocircuito e enquanto controlamos o instinto de agarrar um terço e rezar fervorosamente uma novena para Nossa Senhora da Turbulência (ainda que não sejamos católicos), demonstrando como utilizar os equipamentos de emergência e torcendo para não precisarmos deles, olhando aquela grávida que visivelmente está prestes a dar à luz e implorando ao céu para que ela não exploda a bordo, confiando nossas vidas a pilotos que mal conhecemos e a computadores de bordo passíveis de falha, tendo que responder educadamente a cada vez que perguntam se não temos medo de morrer em uma queda, despressurização ou qualquer outra possível adversidade (como se alguém morresse fora de sua hora) e ainda por cima achando tudo isso lindo demais da conta e fazendo com o maior prazer do mundo!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Wings
I've been having problems with time. I've been having problems with time, clothes and dreams.
Even with so many people around me, I sleep every night trying to solve troubles I don't have, about things I don't live, for someone I don't know, but who is in my mind all the time.
I've forgetting how to choose my clothes at the morning, I've been trying to be always awesome, as if someday someone could come and see.
I've been living everyday, thinking of places I've never visited, roads I've never passed by, voices I've never heard at all.
I worry about fights I can't avoid, answers I can't give, words I can't say, touchs I can't feel, smells I can't breath, hugs I can't enjoy, bottles I can't open with liquids I can't drink.
It's hard, but it seems to be the kind of headache we like to feel.
I don't know why, but it's something that makes me feel fine.
And, when I'm dreaming, I've been always flying in the sky, over the sea, trying to find something, looking for a way to come closer. There're only two hours everynight to get there and it's far away. That's why sometimes I don't find nothing when I arrive. There's always a song to dance and I wake up singing it, living it, breathing it, feeling it.
Come closer... can you feel with me?
(Original version in English, cause the words just jumped into my mind in English. But it must be easy to find errors so, please, ignore them. And a song of Elvis that's jumping into my mind since many days ago).
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