Sabe, meus cremes têm um propósito. Eu não sou do tipo que sai por aí gastando o que não tem pra se sentir mais bonita. Há, sim, aquele cara de quem eu quero chamar a atenção. Ele existe, anda por aí, tem nome e sobrenome, tem lá seus medos e suas caraminholas, tem lá seu RG, sua cama e seu par de tênis preferido.
Ele finge que não percebe, mas sabe quando tropeça nas minhas cenas. Ele se atrapalha com as minhas palavras; e com as dele. Ele cai nos meus joguinhos, mesmo conhecendo todos eles.
Ele fala demais, às vezes. Às vezes fala sem pensar, às vezes pensa demais pra falar, às vezes cala demais.
Ele só não entende.
Não entende nada de mim, nada do que eu digo. Acho que ele nem ouve! Acho que ele me olha e pensa que me vê. Acho que ele finge que olha, pra não ficar chato. Às vezes ele até me beija no meio da frase, pra provar que não me ouviu.
A gente conversa, a gente ri, às vezes a gente chora. Às vezes ele vai comigo ao cinema e nem sabe, às vezes ele dorme do meu lado e não sente. Mas eu perdoo, porque sei que às vezes sou eu que faço assim.
Tem dias que ele some - deve ter dias que eu sumo também - e tem dias que não sai daqui! Fica aqui falando o dia todo, me sacudindo, mordendo minha orelha, não cala a boca, não para quieto, não vai embora.
No fim do dia ele me abraça e me deseja boa noite. Às vezes ele vai, às vezes fica me vendo dormir. Às vezes me acorda no meio da noite, pra tomar água com ele, deve ter medo do escuro. É que ele fica meio à sombra de tudo. Nunca aprendeu a sair de lá, ninguém nunca ensinou, o que dá um pouco de trabalho, porque nem sempre dá pra enxergar que ele está lá. Só de vez em quando é que ele se ilumina. Gosto tanto!
Se ele soubesse o quanto eu gosto, acho que faria mais vezes. Talvez eu devesse contar pra ele... como se adiantasse. Ele vai colocar o dedo no ouvido e gritar mais alto do que eu falo, igual criança. Ele sempre faz dessas. Acho graça, mas se eu der risada ele se irrita.
Eu também me irrito. Com essa mania de nunca estar quando eu preciso e se eu falo ele responde depois ignora. Com essa presença sem fim da sombra dele nos meus passos. Com essa ausência infinita que ele causa aqui, quando sai. Com as risadas dele no meio da noite, quando ele volta. Com a minha maldita mania de ficar queimando cérebro e de falar sozinha e deixar todo mundo achando que eu fiquei maluca de vez. Até ele. E de querer mostrar pra todo mundo que eu sou minha melhor companhia. E de ficar enchendo a cabeça dele com os meus conselhos e as minhas convicções, pra ele achar que eu sou assim mesmo, essa certeza inteirinha, que chega a doer igual soco no estômago. Eu me irrito com a minha mania de fazer meu sorriso parecer fácil demais, e fingir que estar no controle é moleza pra mim. Com a minha mania de sorrir pra ele e dizer que tudo vai ficar bem e que vamos sobreviver.
Porque eu sei que não vamos, sei lá... tem jeito não, de sobreviver assim. Porque não dá pra ficar junto. É um desacerto, é um desencontro, é um desespero e ninguém cede de lado nenhum. Nem nunca vai. E não dá pra ignorar, então fica confuso.
Ninguém sobrevive, eu sei. Mas tenho que fazer de conta que não sei. Quer dizer, não tenho não, ele que se vire com o abismo que ficar depois.
Ele que se vire com o meu cheiro e as minhas palavras decoradas, ele que se vire com o eco de risada que ficar na sala, ele que se vire pra arrumar a bagunça que sobrar depois.
E eu que dê conta também, de aguentar os olhos dele em cima de mim, de correr sozinha pra um lugar que eu não conheço, de dar um fim nos meus cremes e aprender a me arrumar só pra me sentir mais bonita, de arrumar outra pessoa pra me acordar no meio da noite.
Já que é assim mesmo, melhor isso. Ele lá e eu aqui, se amando de longe. Aliás, se amando só porque é de longe. E fazendo de conta que vamos sobreviver, mas cada um por sua conta. Não dá mesmo pra confiar em mim.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Eu
Sabe quando você gosta tanto de algo que fez que quer enfiar goela abaixo de todo mundo?
Escrevi umas coisinhas sobre mim para colocar no perfil, mas ficou tão completo que não me controlei. Lá vai, a quem interessar possa.
Formada em algo que pretende não usar.
Ex-atriz, ex-tecladista, ex-aluna, ex-paciente, ex-namorada, ex-fã, ex-exemplo, ex-conservadora, ex-católica, ex-trema.
Projeto de poliglota, tentativa de blogueira, quase comissária, pretendente a milionária, nunca quis ser gente grande, não quer arrumar marido e tem mania de corrigir os outros.
Viciada em Coca-Cola, viagens, Mc Donalds, chocolate e solidão.
Sagitariana típica, um desastre, um exagero, um drama só, uma encrenca sem fim.
Não liga pro que os outros pensam, não quer saber os motivos, não tem paciência.
Mas quando gosta, gosta inteira!
Escrevi umas coisinhas sobre mim para colocar no perfil, mas ficou tão completo que não me controlei. Lá vai, a quem interessar possa.
Formada em algo que pretende não usar.
Ex-atriz, ex-tecladista, ex-aluna, ex-paciente, ex-namorada, ex-fã, ex-exemplo, ex-conservadora, ex-católica, ex-trema.
Projeto de poliglota, tentativa de blogueira, quase comissária, pretendente a milionária, nunca quis ser gente grande, não quer arrumar marido e tem mania de corrigir os outros.
Viciada em Coca-Cola, viagens, Mc Donalds, chocolate e solidão.
Sagitariana típica, um desastre, um exagero, um drama só, uma encrenca sem fim.
Não liga pro que os outros pensam, não quer saber os motivos, não tem paciência.
Mas quando gosta, gosta inteira!
terça-feira, 4 de maio de 2010
Interior
Porque todo mundo deveria regar outros jardins, de vez em quando. Talvez dar uma olhada nas sementes, colher uma ou outra muda para o próprio jardim, ajudar a cortar os galhos e as folhas que estão sobrando.
E se importar com o que os outros estão tentando dizer, ainda que não valha a pena.
E porque, na maioria das vezes, o que todo mundo quer é companhia pra ir ao cinema, ninguém liga pro filme que vai passar, nem se há mais alguém interessado na história.
Daí fica esse caos - e todo mundo faz de conta que é legal ver filme denso pra não perder o costume de querer ser o que não é. E todo mundo finge que prefere o filme legendado, e que entende cada palavra do que estão dizendo, quando na verdade a maioria só ri do que os outros riem também.
E todo mundo vai ao cinema acompanhado, mas sai de lá desnorteado... e não há quem consiga ajudar.
E todo mundo tenta ver na história a sua própria, modificada, romanceada e com final feliz.
Todo mundo olha no espelho tentando enxergar coisas que não estão ali.
Todo mundo faz de conta que é legal ver filme denso mas, às vezes, tudo que a gente precisa é de uma comédia besta.
*1 - Livremente inspirado pelas palavras da Su, mestra no assunto, que pode ser conferida bem aqui.
*2 - Dedicado à Paula, minha querida amiga desconhecida, que sabe muito bem ler pessoas e que se parece tanto comigo. (Por curiosidade depois do seu comentário, fui xeretar seus textos antigos. Parece que sou eu falando, efetivamente). Ah, sim... e que se encontra aqui.
E se importar com o que os outros estão tentando dizer, ainda que não valha a pena.
E porque, na maioria das vezes, o que todo mundo quer é companhia pra ir ao cinema, ninguém liga pro filme que vai passar, nem se há mais alguém interessado na história.
Daí fica esse caos - e todo mundo faz de conta que é legal ver filme denso pra não perder o costume de querer ser o que não é. E todo mundo finge que prefere o filme legendado, e que entende cada palavra do que estão dizendo, quando na verdade a maioria só ri do que os outros riem também.
E todo mundo vai ao cinema acompanhado, mas sai de lá desnorteado... e não há quem consiga ajudar.
E todo mundo tenta ver na história a sua própria, modificada, romanceada e com final feliz.
Todo mundo olha no espelho tentando enxergar coisas que não estão ali.
Todo mundo faz de conta que é legal ver filme denso mas, às vezes, tudo que a gente precisa é de uma comédia besta.
*1 - Livremente inspirado pelas palavras da Su, mestra no assunto, que pode ser conferida bem aqui.
*2 - Dedicado à Paula, minha querida amiga desconhecida, que sabe muito bem ler pessoas e que se parece tanto comigo. (Por curiosidade depois do seu comentário, fui xeretar seus textos antigos. Parece que sou eu falando, efetivamente). Ah, sim... e que se encontra aqui.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Chá
Amar, meu bem, eu também amo.
Penso durante o dia e sonho à noite, como qualquer criatura normal.
Amar assim é pra ser fácil. Não precisa bater a cabeça, discordar, discutir, conviver com os defeitos, as vontades e as alegrias.
Nem com a minha tragédia que, de tão densa, já virou piada que me faz dar risada todo dia. Porque tenho trinta anos desde os dezesseis. Porque tive que aprender a confrontar a minha sorte e fazer dela pista de patinação. Botei até umas luzes pra ficar mais colorida.
Amar assim, até eu. Não precisa abrir mão das madrugadas com a TV, nem fazer almoço, pagar cinema, sair pra jantar, pegar na mão. Nem brigar por pasta de dente apertada em cima, fazer a cama de manhã, nem desfazer à noite. Igual à minha, que eu durmo em cima da colcha pra não ter que estender no outro dia, que eu durmo de um lado só pra não ter que guardar as roupas que estão do outro lado, que eu durmo tarde, se quiser.
Amar mentalmente, tapando o nariz antes de pular na água, eu já amava antes de saber o que era. Não tem que dançar com os pedaços não dados da outra pessoa, nem chegar na hora pra não levar bronca, nem desvendar seja lá o que for de pensamento.
Só que meus neurônios andam cansados de amar assim, então eu chutei todos eles pra fora. Onde se viu, ficar me incomodando a cabeça?! Justo a minha, que tem tanta coisa pra pensar?! Justo a minha, que acorda em português, atende o telefone em italiano, traduz em espanhol, canta em inglês e manda e-mail em francês?! Justo a minha, que eu mudo por fora pra ver se limpo por dentro?!
Sei que aí eu chutei todos pra fora e dei uma festa com uns convidados novos. Mas era tanta tranquilidade sem todos eles falando todo o tempo, que virou um chá da tarde.
E está assim... as únicas palavras ouvidas há dias têm a ver com passar o açúcar, providenciar mais bolo, esquentar o leite. Tem gente lá que até foi dar uma cochilada debaixo de uma amoreira que plantaram no jardim. Sempre gostei de amoreira. Sempre gostei de amora. Sempre gostei de amor.
Mas acontece que amor dá muito trabalho, amora mancha a roupa e amoreira é só essa coisa onde eu estico a rede e descanso.
Meus neurônios irritados não estão fazendo falta. Espero que eles demorem muito a voltar. E quanto a você, veja se não provoca os malditos!
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Sinestesia
(Trecho de um ensaio do que um dia - ou nunca - virá a ser um livro).
Para acompanhar, caso eu tenha moral para recomendar alguma coisa:
O frescor da noite de outono entrava pela janela entreaberta do apartamento e dançava pelos cabelos longos. Ela começou a prendê-los no alto da cabeça com uma caneta, enquanto tentava colocar alguma coisa no papel que lembrasse - ainda que de longe - a matéria que o professor havia passado no dia anterior.
Já fazia horas que ela estava acompanhada de uma pilha de livros sem, contudo, ir além de duas meras páginas, que só não haviam sido jogadas fora porque ela não conseguira nada melhor.
Olhou para o despertador, verificando o horário. 3h15. Pensou em ir dormir, mas não estava ainda com sono, então resolveu ir para a cozinha e preparar alguma coisa para comer. O trabalho teria que esperar.
Saiu pela porta que levava ao corredor, passou pela sala e entrou na cozinha. Ao bater a mão no interruptor, lembrou-se que a luz estava queimada. Abriu a geladeira para enxergar um copo no armário.
Preparou um saduíche e já voltava para o quarto quando o telefone tocou.
3h15 da manhã?! - pensou - quem está me ligando a essa hora?
Seu coração disparou. Imediatamente um mal estar atingiu a boca do estômago e quase a fez vomitar. Parecia que algum fantasma havia lhe dado um soco.
Era um pressentimento, intuição, sexto sentido, ou seja lá como se chama quando o coração bate no estômago e os dois caem em um buraco no meio da barriga. Apesar de toda a impossibilidade de que aquele pensamento fosse real, ela soube exatamente quem estava do outro lado da linha.
Deveria atender? O que dizer depois de tanto tempo? - O telefone não parava de tocar e ela permanecia relutante em atender, congelada no meio da sala, segurando o sanduíche e o copo de leite, com os cabelos presos no alto da cabeça e o pijama de malha, enquanto o vento daquela noite de outono soprava pelo apartamento silencioso. Incapaz de mover um só músculo, com a respiração suspensa e o coração quase saindo pela boca, ela apenas esperou.
Finalmente o aparelho parou de tocar e o ar voltou a circular à sua volta. Retomando o olhar, que estivera todo o tempo pregado no telefone, ela caminhou de volta para o quarto.
Para acompanhar, caso eu tenha moral para recomendar alguma coisa:
O frescor da noite de outono entrava pela janela entreaberta do apartamento e dançava pelos cabelos longos. Ela começou a prendê-los no alto da cabeça com uma caneta, enquanto tentava colocar alguma coisa no papel que lembrasse - ainda que de longe - a matéria que o professor havia passado no dia anterior.
Já fazia horas que ela estava acompanhada de uma pilha de livros sem, contudo, ir além de duas meras páginas, que só não haviam sido jogadas fora porque ela não conseguira nada melhor.
Olhou para o despertador, verificando o horário. 3h15. Pensou em ir dormir, mas não estava ainda com sono, então resolveu ir para a cozinha e preparar alguma coisa para comer. O trabalho teria que esperar.
Saiu pela porta que levava ao corredor, passou pela sala e entrou na cozinha. Ao bater a mão no interruptor, lembrou-se que a luz estava queimada. Abriu a geladeira para enxergar um copo no armário.
Preparou um saduíche e já voltava para o quarto quando o telefone tocou.
3h15 da manhã?! - pensou - quem está me ligando a essa hora?
Seu coração disparou. Imediatamente um mal estar atingiu a boca do estômago e quase a fez vomitar. Parecia que algum fantasma havia lhe dado um soco.
Era um pressentimento, intuição, sexto sentido, ou seja lá como se chama quando o coração bate no estômago e os dois caem em um buraco no meio da barriga. Apesar de toda a impossibilidade de que aquele pensamento fosse real, ela soube exatamente quem estava do outro lado da linha.
Deveria atender? O que dizer depois de tanto tempo? - O telefone não parava de tocar e ela permanecia relutante em atender, congelada no meio da sala, segurando o sanduíche e o copo de leite, com os cabelos presos no alto da cabeça e o pijama de malha, enquanto o vento daquela noite de outono soprava pelo apartamento silencioso. Incapaz de mover um só músculo, com a respiração suspensa e o coração quase saindo pela boca, ela apenas esperou.
Finalmente o aparelho parou de tocar e o ar voltou a circular à sua volta. Retomando o olhar, que estivera todo o tempo pregado no telefone, ela caminhou de volta para o quarto.
domingo, 4 de abril de 2010
Silêncio
É mais difícil à noite - é preciso tocar o silêncio. Ele fica à espreita durante todo o dia, aguardando este momento: além das pessoas, das luzes, das imagens; mas, à noite, vem forte, pesado, grande, espremendo com força o que encontrar pela frente.
Aparentemente sem ter o que fazer com os pensamentos que rodavam sem parar, ela encostou a cabeça na parede enquanto observava o céu. As estrelas estavam ocultas por nuvens que, ela lembrou, pareciam aquelas que rodavam com seus pensamentos.
Ela respirou fundo, tentando filtrar o ar ligeiramente frio que entrava por suas narinas e, com ele, dissipar a névoa interna. Desistiu.
Quando o silêncio se torna pesado demais, o jeito é abraçá-lo, agarrar-se a ele e aconchegar-se em seu colo. E o ar ligeiramente frio em seus pulmões quase ajudava.
Para ler ouvindo:
Aparentemente sem ter o que fazer com os pensamentos que rodavam sem parar, ela encostou a cabeça na parede enquanto observava o céu. As estrelas estavam ocultas por nuvens que, ela lembrou, pareciam aquelas que rodavam com seus pensamentos.
Ela respirou fundo, tentando filtrar o ar ligeiramente frio que entrava por suas narinas e, com ele, dissipar a névoa interna. Desistiu.
Quando o silêncio se torna pesado demais, o jeito é abraçá-lo, agarrar-se a ele e aconchegar-se em seu colo. E o ar ligeiramente frio em seus pulmões quase ajudava.
Para ler ouvindo:
quarta-feira, 10 de março de 2010
Direta
E quanto a você, que inventa regras para seguir e se tortura com a impossibilidade de cumpri-las, ainda que nenhum árbitro considere falta?!
Eu, ao menos, tenho a tranquilidade de agir de acordo com a minha única lei: desde que não prejudique outras pessoas, posso fazer o que me der na telha.
Pode não ser o melhor estilo de vida, mas sei que não estou vivendo à sombra dos contornos que criei para agradar pessoas e ideias que nada têm a ver comigo.
Já passei por isso há algum tempo, no entanto ainda me lembro bem. Será estranho e poderá te decepcionar quando acontecer, mas um dia você há de descobrir que o mundo não sente inveja de você. O mundo está ocupado demais em seus movimentos de rotação e translação para prestar atenção ao quanto você merece a inveja alheia.
Afinal, o que há de tão perfeito com você para gerar esse tipo de sentimento?
Sabe o que mais? Na minha opinião torta, imagino que deva ser difícil aceitar que sua vida não sai do lugar. Então, quando te contam que há outras formas de respirar o ar que você conhece, é mais cômodo creditar a ideia à inveja altamente corrosiva que o mundo sente de você.
O problema não é a maneira como você gasta suas 24 horas diárias; problema mesmo é querer que outras pessoas aplaudam as escolhas que você faz e sigam seu dito exemplo maravilhoso de conduta. Porque as outras pessoas simplesmente não se encaixam no molde esculpido exclusivamente por você e pra você. O seu molde, perfeito ou não, é só seu e ninguém pode ser condenado por não usá-lo. É só o que (de acordo com suas palavras) deu certo na sua vida, não significa que se aplique aos demais.
E, pra falar a verdade, talvez você precise saber de um segredo: ninguém está nem aí pras tuas regras. Nem pras minhas. E pronto, agora você já pode começar a viver.
Eu, ao menos, tenho a tranquilidade de agir de acordo com a minha única lei: desde que não prejudique outras pessoas, posso fazer o que me der na telha.
Pode não ser o melhor estilo de vida, mas sei que não estou vivendo à sombra dos contornos que criei para agradar pessoas e ideias que nada têm a ver comigo.
Já passei por isso há algum tempo, no entanto ainda me lembro bem. Será estranho e poderá te decepcionar quando acontecer, mas um dia você há de descobrir que o mundo não sente inveja de você. O mundo está ocupado demais em seus movimentos de rotação e translação para prestar atenção ao quanto você merece a inveja alheia.
Afinal, o que há de tão perfeito com você para gerar esse tipo de sentimento?
Sabe o que mais? Na minha opinião torta, imagino que deva ser difícil aceitar que sua vida não sai do lugar. Então, quando te contam que há outras formas de respirar o ar que você conhece, é mais cômodo creditar a ideia à inveja altamente corrosiva que o mundo sente de você.
O problema não é a maneira como você gasta suas 24 horas diárias; problema mesmo é querer que outras pessoas aplaudam as escolhas que você faz e sigam seu dito exemplo maravilhoso de conduta. Porque as outras pessoas simplesmente não se encaixam no molde esculpido exclusivamente por você e pra você. O seu molde, perfeito ou não, é só seu e ninguém pode ser condenado por não usá-lo. É só o que (de acordo com suas palavras) deu certo na sua vida, não significa que se aplique aos demais.
E, pra falar a verdade, talvez você precise saber de um segredo: ninguém está nem aí pras tuas regras. Nem pras minhas. E pronto, agora você já pode começar a viver.
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